Agentes de IA: o que são e quando sua empresa deve usar?

O que são agentes de IA, a diferença para workflows, os 5 padrões que funcionam em produção e quando sua empresa deve evitar, com base no guia da Anthropic.

Agentes de IA são sistemas em que um modelo de linguagem decide sozinho quais passos dar e quais ferramentas usar para cumprir uma tarefa. O tema virou promessa de todo fornecedor, e muito empresário sai das reuniões achando que está atrasado. Antes de contratar ou construir algo, vale olhar para o que aprendeu quem fabrica os modelos e acompanhou de perto os projetos que deram certo.

Em 19 de dezembro de 2024, a Anthropic (empresa que desenvolve o Claude) publicou o texto Building effective agents, escrito por Erik S. e Barry Zhang a partir do trabalho com dezenas de equipes que colocaram agentes em produção. A principal conclusão contraria o marketing do setor: os projetos mais bem-sucedidos usavam padrões simples e combináveis, e não estruturas complexas.

Este guia traduz esse material para a realidade de pequenas e médias empresas brasileiras, com os critérios que usamos na CodenTech para decidir se um projeto precisa de agente, de automação comum ou de nenhum dos dois.

Resumo em cinco pontos

  • Existem dois tipos de sistema com IA: workflows, em que o caminho é fixo e definido no código, e agentes, em que o próprio modelo decide o caminho.
  • Comece pelo mais simples: muitas tarefas se resolvem com uma única chamada bem construída ao modelo, sem agente nenhum.
  • Cinco padrões de workflow cobrem a maioria dos casos: encadeamento, roteamento, paralelização, orquestrador e executores, avaliador e otimizador.
  • Agentes autônomos fazem sentido em problemas abertos, mas custam mais e acumulam erros se não houver testes e limites.
  • Ferramentas bem descritas pesam mais no resultado do que prompts sofisticados.

O que são agentes de IA?

Agentes de IA são sistemas em que um modelo de linguagem conduz o próprio processo: escolhe as ferramentas, executa ações, observa o resultado e decide o passo seguinte até concluir a tarefa. A palavra "agente", porém, é usada no mercado para coisas muito diferentes.

Há quem chame de agente um sistema que trabalha sozinho por horas, usando várias ferramentas. Há quem use o mesmo nome para um fluxo de etapas fixas em que a IA só preenche uma parte. A Anthropic agrupa tudo isso sob o nome de sistemas agênticos e faz uma distinção que ajuda muito na hora de comprar ou especificar um projeto.

Qual a diferença entre workflow e agente de IA?

Em um workflow, a IA executa etapas dentro de um caminho definido previamente no código. Em um agente, o modelo decide dinamicamente quais etapas executar e quais ferramentas usar. A tabela resume as diferenças práticas.

CritérioWorkflow com IAAgente de IA
Quem define o caminhoO desenho do sistema, no códigoO próprio modelo, a cada passo
PrevisibilidadeAltaMenor
Custo por tarefaMenor e estávelMaior e variável
Melhor paraTarefas bem definidas e repetitivasProblemas abertos, de caminho imprevisível
Risco principalNão lidar bem com exceçõesErros que se acumulam ao longo das etapas

Na prática, boa parte do que o mercado vende como agentes de IA é workflow. Isso não é defeito, e em muitos casos é exatamente o que a empresa precisa. O problema surge quando se paga preço e se assume risco de agente por algo que um fluxo resolveria com mais previsibilidade.

Quando uma empresa deve usar agentes de IA?

Uma empresa deve usar agentes de IA quando a tarefa não tem caminho previsível e o ganho de flexibilidade compensa custo maior e mais risco. Nos demais casos, a recomendação da Anthropic é buscar a solução mais simples possível e só aumentar a complexidade quando houver necessidade comprovada, o que às vezes significa não construir sistema agêntico nenhum.

O motivo é econômico. Sistemas agênticos trocam velocidade e custo por desempenho em tarefas difíceis, porque cada etapa extra é mais uma chamada ao modelo. Para muitas aplicações, uma única chamada com acesso aos dados certos e alguns exemplos no próprio prompt já resolve.

Nos diagnósticos com clientes, usamos três perguntas para decidir:

  1. A tarefa sempre segue os mesmos passos? Se sim, workflow, porque previsibilidade vale mais do que flexibilidade.
  2. Dá para saber de antemão quantas etapas serão necessárias? Se não, começa a fazer sentido um agente.
  3. Quanto custa um erro? Quanto mais caro, mais pontos de checagem humana o sistema precisa, seja agente ou não.

O que é um LLM aumentado?

LLM aumentado é um modelo de linguagem com acesso a busca de informações, ferramentas e memória, e é o bloco básico de qualquer sistema agêntico. Os modelos atuais usam esses recursos de forma ativa: criam as próprias consultas, escolhem a ferramenta adequada e decidem o que guardar.

Para uma empresa, isso vira perguntas concretas. A IA consegue consultar o estoque? Enxerga o histórico do cliente no CRM? Registra um pedido no ERP? A qualidade de um agente depende menos do modelo escolhido e mais dessas conexões e de como elas são descritas para a IA. A Anthropic cita o Model Context Protocol (MCP) como uma das formas de padronizar essas integrações.

Quais são os 5 padrões de workflow com IA?

Os cinco padrões de workflow descritos pela Anthropic são encadeamento de prompts, roteamento, paralelização, orquestrador e executores, e avaliador e otimizador. Eles cobrem a maior parte dos casos reais que encontramos em empresas e podem ser combinados entre si.

PadrãoComo funcionaExemplo em empresa
Encadeamento de promptsEtapas fixas, cada uma usa o resultado da anteriorGerar descrição de produto, revisar e adaptar para marketplace
RoteamentoClassifica a entrada e envia ao tratamento certoSeparar dúvida, reembolso e suporte técnico no WhatsApp
ParalelizaçãoVárias chamadas simultâneas, resultados combinadosResponder ao cliente enquanto outra IA checa a política
Orquestrador e executoresUma IA central divide a tarefa e distribuiAnálise de concorrentes a partir de várias fontes
Avaliador e otimizadorUma IA gera, outra avalia, em cicloPropostas comerciais com padrão de qualidade definido

1. Encadeamento de prompts

No encadeamento de prompts, a tarefa é dividida em etapas fixas e cada chamada à IA trabalha sobre o resultado da anterior. Entre as etapas, verificações automáticas confirmam que o processo segue no rumo. Funciona bem quando a tarefa se decompõe de forma limpa, trocando um pouco de velocidade por mais precisão em cada passo.

2. Roteamento

No roteamento, a entrada é classificada e enviada para um tratamento especializado, com instruções e ferramentas próprias. Sem isso, otimizar o sistema para um tipo de pedido costuma piorar o desempenho nos outros. É o padrão mais comum em atendimento: perguntas simples podem ir para um modelo menor e mais barato, e casos difíceis vão para um modelo mais capaz ou direto para uma pessoa.

3. Paralelização

Na paralelização, várias chamadas trabalham ao mesmo tempo e os resultados são combinados depois. Há duas variações: dividir a tarefa em partes independentes ou rodar a mesma tarefa várias vezes para comparar respostas. Segundo a Anthropic, separar a resposta ao cliente da checagem de conteúdo inadequado tende a funcionar melhor do que pedir as duas coisas à mesma chamada.

4. Orquestrador e executores

No padrão orquestrador e executores, uma IA central analisa a tarefa, decide quais subtarefas são necessárias, distribui para outras chamadas e junta os resultados. A diferença para a paralelização é que as subtarefas não estão definidas de antemão. Serve para trabalhos em que o tamanho do problema varia a cada pedido.

5. Avaliador e otimizador

No padrão avaliador e otimizador, uma chamada gera a resposta e outra avalia e devolve sugestões, em ciclo, até atingir o critério. A Anthropic aponta dois sinais de encaixe: a resposta melhora visivelmente com feedback claro, e a própria IA consegue dar esse feedback. Aparece em propostas comerciais, traduções técnicas e respostas a editais.

Como funciona um agente de IA autônomo?

Um agente de IA autônomo funciona como um modelo usando ferramentas em ciclo: recebe a tarefa, planeja, age, observa o resultado e decide o próximo passo, podendo voltar a um humano para pedir informação ou aprovação. Esse tipo de sistema ganhou espaço porque os modelos evoluíram em quatro capacidades: entender pedidos complexos, raciocinar e planejar, usar ferramentas com confiabilidade e se recuperar de erros.

O ponto crítico é que, a cada passo, o agente precisa de uma "verdade de campo" vinda do ambiente, como o retorno real de uma consulta ou o resultado de um teste. Também é comum definir condições de parada, como um número máximo de tentativas, e pontos de revisão humana.

A autonomia traz custos maiores e o risco de erros que se acumulam. A Anthropic recomenda testar bastante em ambiente isolado e colocar barreiras de proteção antes de liberar para uso real.

Onde os agentes de IA já geram resultado?

Os agentes de IA já geram resultado consistente em atendimento ao cliente e em desenvolvimento de software, segundo a experiência da Anthropic com clientes. As duas áreas combinam conversa com ação, têm critério claro de sucesso, permitem ciclos de feedback e preservam supervisão humana.

Atendimento ao cliente. A conversa já é o formato natural, o agente pode consultar dados do cliente, pedidos e base de conhecimento, e ações como emitir reembolso ou atualizar um chamado podem ser executadas pelo sistema. O sucesso se mede pela resolução. A Anthropic observa que algumas empresas chegam a cobrar apenas por atendimento resolvido. É nesse terreno que trabalhamos com o CodenDesk, sempre com saída clara para atendimento humano.

Desenvolvimento de software. Código pode ser verificado por testes automáticos, o agente usa esses testes para corrigir a própria solução, e a qualidade é mensurável. Mesmo assim, a revisão humana continua indispensável para garantir que a solução faz sentido no sistema como um todo.

Vale a pena usar frameworks para criar agentes de IA?

Frameworks aceleram o início de um projeto de agentes de IA, mas podem esconder os prompts e as respostas reais, o que dificulta encontrar a origem de um erro. Também tornam tentador adicionar complexidade quando uma solução simples bastaria.

A orientação da Anthropic é começar usando diretamente a API do modelo, já que muitos padrões cabem em poucas linhas de código. Se optar por um framework, entenda o que ele faz por baixo, porque suposições erradas sobre o funcionamento interno são uma fonte comum de problemas. Para o gestor, a tradução é simples: desconfie de fornecedor que não consegue explicar quais etapas o sistema executa e onde a IA toma decisões.

Como desenhar ferramentas para agentes de IA?

Ferramentas para agentes de IA devem ser desenhadas e documentadas com o mesmo cuidado dado a uma interface para pessoas, porque a descrição de cada ferramenta funciona como parte do prompt. A Anthropic chama isso de interface agente-computador e recomenda:

  • escrever a descrição de cada ferramenta como se fosse para um desenvolvedor júnior, com exemplos, casos de borda e limites claros;
  • preferir formatos que o modelo já conhece bem, evitando exigências como contar linhas ou escapar caracteres;
  • testar muitos exemplos e observar onde a IA erra;
  • redesenhar os parâmetros para que o erro fique difícil de cometer, no espírito do poka-yoke da manufatura.

O exemplo citado é revelador. Ao construir um agente de programação, a equipe da Anthropic gastou mais tempo ajustando as ferramentas do que o prompt principal, e um erro recorrente com caminhos de arquivo relativos desapareceu quando a ferramenta passou a exigir caminhos absolutos.

Quais princípios seguir em um projeto de agentes de IA?

Os três princípios recomendados pela Anthropic para projetos de agentes de IA são simplicidade no desenho, transparência nas etapas que o agente planeja e executa, e documentação e testes cuidadosos das ferramentas.

Somamos um quarto, que vem da experiência com empresas: comece medindo. Sem saber quanto tempo a tarefa leva hoje, quanto custa e quantos erros acontecem, não há como provar que a automação melhorou alguma coisa.

Sobre a fonte e a atualidade deste conteúdo

Este artigo é baseado em Building effective agents, publicado pela Anthropic em 19 de dezembro de 2024. A própria Anthropic registra no texto original que boa parte das ferramentas citadas mudou desde então. Por isso, este guia evita recomendar frameworks ou modelos específicos e se concentra nos princípios e padrões, que seguem válidos. A adaptação para empresas brasileiras é de Gésio Flores, fundador da CodenTech e professor de inteligência artificial aplicada em cursos de pós-graduação.

O sistema certo vale mais do que o mais sofisticado

O sucesso com agentes de IA depende de construir o sistema adequado ao problema, e não o mais impressionante na demonstração. O caminho recomendado é começar com prompts simples, avaliar com rigor e só adicionar etapas e autonomia quando a solução simples comprovadamente não der conta.

Se você está avaliando onde a IA pode entrar na sua operação, a melhor primeira pergunta é qual processo hoje consome mais tempo da equipe com tarefas previsíveis. Veja como a CodenTech desenvolve agentes de IA para empresas e projetos de software sob medida.

Perguntas frequentes

O que são agentes de IA?

Agentes de IA são sistemas em que um modelo de linguagem decide sozinho quais passos dar e quais ferramentas usar para cumprir uma tarefa, observando o resultado de cada ação para definir a próxima.

Qual a diferença entre agente de IA e automação com IA?

Na automação com IA, também chamada de workflow, o caminho é definido previamente no código e a IA executa etapas fixas. No agente de IA, o próprio modelo decide o caminho, o que traz mais flexibilidade, mais custo e menos previsibilidade.

Toda empresa precisa de agentes de IA?

Não. Segundo a Anthropic, muitas aplicações se resolvem com uma única chamada bem construída ao modelo ou com um workflow de etapas fixas, que entregam o resultado com menos custo e mais previsibilidade.

Quais são os padrões de workflow com IA mais usados?

Os cinco padrões descritos pela Anthropic são encadeamento de prompts, roteamento, paralelização, orquestrador e executores, e avaliador e otimizador. Eles podem ser combinados conforme a necessidade do processo.

Agentes de IA podem atender clientes sozinhos?

Podem resolver parte relevante dos atendimentos quando têm acesso aos sistemas da empresa e critérios claros de sucesso, desde que tenham limites, condições de parada e saída para atendimento humano.

Quais os riscos de usar agentes de IA?

Os principais riscos são custo maior por tarefa e erros que se acumulam ao longo de várias etapas. Testes em ambiente isolado, barreiras de proteção e pontos de revisão humana reduzem esses riscos.